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ERA UMA VEZ CATIMBAU

POR MARINA F RAMOS

"Trata-se de um projeto fotográfico que venho desenvolvendo desde 2017 no Vale do Catimbau. Neste procuro o Sertão das imagens e histórias possíveis que surgem nas rochas, nas nuvens, nas sombras, nas paredes das cavernas rupestres, nos causos populares, na conversa com as pessoas, no caule das árvores retorcidas da caatinga, nas esculturas de madeiras dos vários artistas do Vale do Catimbau. Como diz Zé Bezerra, não existe árvore morta, “morreu mais tá vivo. A natureza é viva, pode o troco tá morto, mas dentro tem coisa viva”.
É um Sertão que vai sendo criado, desenhado e esculpido na nossa imaginação. É um Sertão criativo, que nos põe a fabular, a inventar, a discutir se um morro é um cuscuz, um cachorro ou um pássaro. A contar as histórias ouvidas e transmitidas lá de longe de não se sabe quem, só se sabe que foi assim. Onde as árvores quando morrem ganham outra vida na mão de artistas escultores que dão corpo aos seres da imaginação.
Esta série apresentada é fruto de meu encontro com o Vale do Catimbau, com o guia João Ferreira da associação de guias do vale, que me apresentou vários lugares exuberantes e vários personagens escondidos nas rochas, com alguns moradores e com os artistas José Bezerra e Luís Benício que permitiram que eu fotografasse suas produções escultóricas como personagens de minha fábula visual e me contaram diversas histórias sobre a região. Fui ao vale pela primeira vez em 2014 e desde então tenho retornado, da primeira vez trouxe comigo uma poesia, das últimas vezes tenho trazido as fotografias.

 

SerTão

De tão ver Sertão

aprendi a Ser Tão

tão ser que nem Sertão.

 

Seco de tão graveto

Areia de tão poeira

Eras Ser Tão de espera


Tua pisada faz rachar o chão

Teu sopro faz acender o fogo

Teu choro faz germinar o broto

 

Passam os sóis...

Ser Tão verde,

Que verde é a cor do ouro.

 

Acho rio acho riacho,

rio alto e avoo o Sertão

de casaca de couro."