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POR GUILHERME PUCCI

METICULOUS FORGETTING
Meticulous Forgetting (Esquecimento Meticuloso) surge a partir da compreensão do significado que o Hotel Waldorf Astoria teve para a cidade de Nova York durante 70 anos de sua história, e procura revelar seu legado e suas lembranças ao mesmo tempo em que proprõem uma reflexão sobre o poder do tempo.
O complexo hoteleiro inaugurou no começo do século XIX um novo lifestyle baseado nos princípios modernos que em pouco tempo inundaram a cidade. Ele oferecia as instalações sociais necessárias para servir banquetes, dar festas e apresentar espetáculos enquanto as torres possuíam acomodações privativas com serviço de quarto disponível 24h. Durante muitos anos toda a alta-sociedade circulava fervorosa nos corredores, pátios e salões do hotel como contextualiza o filme Week-End at the Waldorf de Robert Z. Leonard (1945).
Porém, a partir dos anos 60 e até hoje, o conceito de vida moderno começa a ser superado. Os salões deixam de ser frequentados e começam a abrigar eventos de menor importância, deixando o luxo e o glamour de outrora para trás. Assim o Waldorf Astoria entra no século XXI impecavelmente conservado pelo poder do passado, porém sem sinal algum do frenesi que um dia tomou conta da planta.
O projeto propõe entrar no âmago do hotel e do que restou presente nos salões. Para isso foram feitas visitas nos principais salões e corredores dos seis primeiros pavimentos em 2016. Astor Gallery, Jade Room, Basildon Room e o Ballroom, os principais e mais utilizados nos tempos áureos, estão inclusos nas visitas feitas sem supervisão.
O imenso vazio que preenche cada um dos ambientes rapidamente torna nítido que o esquecimento é o sentimento predominante no espaço. Ao mesmo tempo, existe um esmero para que cada detalhe se mantenha bem longe do conceito de abandono. Assim, cada passada de olhar é capaz de recriar os grandes eventos que uma vez foram sediados ali.
Para capturar essa constante sensação, as estratégias foram ampliar ao máximo a visão do observador utilizar uma grande angular, e percorrer cada um dos ambientes em busca dos altos contrastes que os lustrem, sempre acessos, impõem. Isso se alia ao rigoroso posicionamento no centro para transmitir a noção de que sempre é possível enxergar e compreender o todo, como quem busca algo ou alguém. A exceção a esse rigor se dá no Basildon Room, que encerra a série. Nele fica nítido que qualquer vida lá presente se esvaiu, o lustre fora apagado, alguma janela fechada e as cadeiras deixadas ali, em sua última posição. Não há e não haverá mais ninguém.
A reflexão, por fim, é feita pelo olhar do próprio Waldorf, hotel, matéria, que busca, mesmo impotente, decidir seu futuro. Se prefere prender-se na nostalgia ou se em um futuro lúcido, mesmo que não tão brilhante. Se o eterno vazio é em suma compensado pela memória que já não mais lateja. Se vale a pena viver ou quem sabe deixar-se morrer seja uma dádiva que lhe tem sido recusada.