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POR MICHELLE BASTOS IÑY

Sobre Linhas, Errâncias e Ausências Michelle Bastos-Iñy O ensaio Sobre Linhas, Errâncias e Ausências integra uma pesquisa maior chamada de “analogia ao retrato/fotografia de traição”. Foi feito a partir de uma viagem a pé entre 7 municípios entre os estados do Piauí e Maranhão. Buscando maneiras de trazer identidade aos sujeitos que encontrava neste deslocamento, a autora buscou analogias ao retrato clássico, imagens que pudessem sugerir mas não revelar o sujeito fotografado. Assim, deparou-se com municípios inteiros com casas pintadas com duas cores. Aprofundando a convivência, descobriu que as casas eram majoritariamente pintadas pelos próprios moradores, que escolhiam as cores e a maneira de pintar, traçando uma relação direta entre pele e parede, entre ação do tempo na fachada e envelhecimento do corpo, rachaduras na estrutura e rugas e cicatrizes. Havia uma relação entre as paletas de cores: os moradores mais reservados utilizavam cores pasteis. Os mais comunicativos usavam tons carnavalescos. Havia, em cada pintura, tal qual um rosto maquiado, a busca pela beleza, a maneira que cada pessoa gostaria de ser vista e percebida externamente pelos outros. Havia também uma relação social: famílias com mais posses faziam uma linha perfeita com cores duráveis, enquanto as mais simples improvisavam com cal e barro. O trabalho guarda uma relação direta com artes visuais na medida que resulta em telas que remetem a diversos movimentos de arte.